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22.04.2026 | Cuidados

Cachorros estressados: causas, sintomas e tratamento

Cachorros estressados: causas, sintomas e tratamento

Sintomas do estresse canino

O estresse em cachorros pode se manifestar de diversas maneiras, tanto físicas quanto comportamentais. Por isso, é importante estar atento a esses sinais, pois a identificação precoce do problema permite agir rapidamente e garantir o bem-estar do animal: ¹

Latidos excessivos

Latir mais do que o normal, especialmente em momentos inadequados ou sem um motivo aparente, pode ser um sinal de ansiedade e estresse no animal. ²

Hiperventilação

Respirar de forma rápida e ofegante, mesmo em repouso e em um ambiente com temperatura amena, pode ser um sinal de excitação ou ansiedade. ³

Comportamento destrutivo

Roer móveis e sapatos, cavar ou destruir objetos pela casa podem ser formas que o animal encontra para liberar a tensão e o estresse. ⁴

Lambedura das patas

Lamber as patas excessivamente, a ponto de causar feridas ou perda de pelo na região, é um comportamento compulsivo comum em cães estressados. 

Queda de pelos

O estresse crônico pode levar à queda excessiva de pelos, além de deixar a pelagem opaca e sem brilho. ⁵ 

Falta de apetite

Assim como em humanos, o estresse pode afetar o apetite dos cachorros, levando à recusa alimentar ou à diminuição do interesse pela comida. ⁶

Outros sintomas de estresse canino podem incluir: Agressividade repentina, isolamento, micção ou defecação inadequadas, tremores, andar em círculos e vocalização excessiva (como uivos e choramingos) também podem ser sinais de estresse em cães. ⁷

Estresse X Tédio X Ansiedade

 

É importante diferenciar o estresse de outros estados emocionais ou comportamentais:

  • Estresse: Geralmente é uma resposta a um fator estressor específico, seja ele de curta ou longa duração (ex: barulhos altos, mudança de ambiente, chegada de um novo membro na família). ⁸
  • Tédio: Resulta da falta de estímulo físico e mental. Cães entediados podem apresentar comportamentos destrutivos, latidos excessivos e apatia. ⁹
  • Ansiedade: É um estado de apreensão e medo em relação a uma ameaça real ou imaginária. A ansiedade pode ser situacional (ex: medo de fogos de artifício) ou generalizada. A ansiedade de separação é um tipo específico de ansiedade relacionada à ausência do tutor. ⁷,

Embora distintos, esses estados podem estar interligados e influenciar uns aos outros. Um cão cronicamente entediado pode se tornar mais propenso ao estresse e à ansiedade.

Como tratar estresse em cães?

O tratamento para o estresse canino depende da causa e da intensidade do problema. Algumas abordagens comuns incluem: ⁹,¹⁰

  • Identificação e remoção do fator estressor: Se possível, eliminar ou minimizar a exposição do cão àquilo que está causando o estresse.
  • Modificação comportamental: Técnicas de dessensibilização e contra condicionamento podem ajudar o cão a lidar melhor com situações estressantes. Isso deve ser feito com paciência e com a orientação de um adestrador ou comportamentalista.
  • Enriquecimento ambiental: Proporcionar um ambiente estimulante com brinquedos interativos, atividades físicas adequadas e oportunidades para expressar comportamentos naturais (como farejar e roer).
  • Exercício físico regular: Ajuda a liberar energia acumulada e reduzir o estresse. A quantidade e o tipo de exercício devem ser adequados à idade, raça e condição física do cão.
  • Técnicas de relaxamento: Ensinar comandos de relaxamento (como “fica” em um local confortável) e utilizar massagens ou carinho suave podem ajudar a acalmar o cão em momentos de tensão.
  • Suplementos e medicamentos: Em casos mais graves, o veterinário pode indicar suplementos naturais com efeito calmante ou, em situações extremas, medicamentos ansiolíticos. É fundamental evitar a automedicação, pois ela pode ser perigosa para o animal.

Como evitar o estresse canino?

 

A prevenção é sempre o melhor caminho. Algumas medidas para evitar o estresse em cães incluem: ¹, ¹²

  1. Socialização precoce: Expor o filhote a diferentes ambientes, pessoas, animais e sons de forma positiva e gradual ajuda a torná-lo mais confiante e adaptável.
  2. Rotina consistente: Estabelecer horários regulares para alimentação, passeios, brincadeiras e descanso proporciona segurança e previsibilidade ao cão.
  3. Treinamento adequado: Ensinar comandos básicos de obediência e limites claros ajuda o cão a entender o que se espera dele e a se sentir mais seguro.
  4. Enriquecimento ambiental contínuo: Manter o ambiente do cão estimulante e oferecer desafios mentais e físicos regularmente.
  5. Gerenciamento de situações estressantes: Evitar ou minimizar a exposição do cão a situações que sabidamente o estressam (ex: fogos de artifício, aglomerações) ou prepará-lo gradualmente para elas com técnicas de dessensibilização.
  6. Atendimento às necessidades básicas: Garantir que o cão tenha suas necessidades físicas (alimentação, água, abrigo, exercício) e emocionais (atenção, carinho, segurança) atendidas.
  7. Observação atenta: Conheça o comportamento habitual do seu cão e esteja atento a qualquer sinal diferente ou de estresse que ele possa apresentar, para poder intervir de forma precoce e eficaz.

O estresse pode impactar significativamente a qualidade de vida dos cães. Ao reconhecer os sinais, compreender suas possíveis causas e aplicar estratégias de prevenção, podemos ajudar nossos companheiros a levar uma vida mais tranquila, feliz e saudável.

Consultar um veterinário ou um especialista em comportamento canino é essencial para garantir a saúde física e emocional do cão, permitindo identificar causas de estresse, definir estratégias seguras de manejo e prevenir problemas futuros.

 


Referências:

  1. CORSETTI, S.; FERRARA, M.; NATOLI, E. Evaluating stress in dogs involved in animal-assisted interventions. Animals, v. 9, p. 1–19, 2019.
  2. BAUER, A. E.; JORDAN, M.; COLON, M.; SHREYER, T.; CRONEY, C. C. Evaluating FIDO: developing and pilot testing the Field Instantaneous Dog Observation tool. Pet Behavioural Science, v. 4, p. 1–6, 2017.
  3. BEERDA, B.; SCHILDER, M. B. H.; VAN HOOFF, J. A. R. A. M.; DE VRIES, H. W.; MOL, J. A. Behavioural and hormonal indicators of enduring environmental stress in dogs. Animal Welfare, v. 9, p. 49–62, 2000.
  4. KUHNE, F.; HÖßLER, J. C.; STRUWE, R. Emotions in dogs being petted by a familiar or unfamiliar person: validating behavioural indicators of emotional states using heart rate variability. Applied Animal Behaviour Science, v. 161, p. 113–120, 2014.
  5. HORTA, G. F.; VIEIRA, G. R. R.; RIBEIRO, G. V. V.; MAGALHÃES, I.; QUINTÃO, I. C. D. A.; LANNA, M. C.; PEREIRA, M. R.; SILVEIRA, N. F. C. D.; OLIVEIRA, S. G. S.; SILVA, T. C. A. R.; HORTA, C. F. Aspectos clínicos e etiológicos da alopecia X em cães. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 19, n. 1, 2021.
  6. KIDDIE, J. L.; COLLINS, L. M. Development and validation of a quality of life assessment tool for use in kennelled dogs (Canis familiaris). Applied Animal Behaviour Science, v. 158, p. 57–68, 2014.
  7. OVERALL, K. L. Clinical behavioral medicine for small animals. St. Louis: Mosby, 1997.
  8. BROOM, D. M.; JOHNSON, K. G. Stress and animal welfare. London: Chapman & Hall, 1993.
  9. HEATH, S. BSAVA manual of canine and feline behavioural medicine. Quedgeley, Gloucester England: British Small Animal Veterinary Association, 2009.
  10. BEAVER, B. V. Comportamento canino: um guia para veterinários. Roca, 2001.
  11. KARTASHOVA, I. A., GANINA, K. K., KARELINA, E. A., & TARASOV, S. A. How to evaluate and manage stress in dogs – a guide for veterinary specialist. Applied Animal Behaviour Science, v. 243, 2021.
  12. RIEMER, S. Therapy and prevention of noise fears in dogs – a review of the current evidence for practitioners. Animals, v. 13, n. 23, 2023.
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